segunda-feira, 29 de março de 2010

Muricy Ramalho

Muricy Ramalho

Muricy 2: a missão

Por Bernardo Itri
São Paulo (SP) - Depois da saída do Tricolor e do fracasso em seu primeiro campeonato à frente do Palmeiras, Muricy Ramalho analisa a temporada passada, fala que o ambiente no Verdão é melhor que o do São Paulo, defende a passagem de Vagner Love pelo Palestra e prevê ares melhores em 2010
Confira a entrevista na íntegra:
O Palmeiras ficou 19 rodadas na liderança do Brasileirão. Como você explica a perda do título e da vaga na Libertadores?
A gente perdeu o campeonato quando o Maurício Ramos e o Pierre se lesionaram. Nós tínhamos a melhor defesa, com só 22 gols sofridos, e estávamos em primeiro. O setor do meio-campo ficou desorganizado. Aí não teve jeito. Mas é engraçado: parece que o Palmeiras é pior que os times que quase foram rebaixados? Por que toda essa pressão em cima? A gente foi líder por boa parte do Brasileiro e, no final, não chegamos na Libertadores. Você acha que os times que não ganharam o Brasileiro estão bem? Te garanto que não estão. O problema é que parece que só o Palmeiras ficou abalado com o campeonato de 2009. Os outros clubes conseguem abafar.
As histórias de racha no elenco do Palmeiras, de ciúmes entre os jogadores e outros problemas internos não param de aparecer...
Não tem nada disso. A quantidade de boatos que aparecem no Palmeiras é impressionante. O ambiente aqui é um dos melhores que eu já trabalhei.  Às vezes, chega a ser melhor do que o que tive no São Paulo. Falam que eu tenho problema com o Cipullo [vice de futebol] e com o Toninho [gerente de futebol] e não tem nada a ver. Se não gosto de alguém, eu nem falo com a pessoa, e as pessoas com quem eu mais falo aqui são os dois. Teve a briga em Porto Alegre entre o Maurício e o Obina e, para você ver como o ambiente é bom, eles ficaram até as três da manhã conversando. Então não tem essa história...
Sobre o Vagner Love: as baladas, o salário de 400 000 reais e a briga com a torcida causaram algum desconforto?
Aqui ninguém sabe o salário de ninguém. Não existe isso. O Vagner sempre foi muito querido. E depois da briga ele foi muito homem. Ele foi pro pau. Não se escondeu.
Você tem algum outro exemplo sobre o bom ambiente no Palmeiras?
Uma coisa que ficou na minha cabeça foi com o Marcos. No jogo contra o Corinthians, no segundo turno do Brasileirão, ele foi expulso. Depois da partida, ele abriu mão de receber o bicho - e olha que contra o Corinthians, clássico, não é pouca coisa. Quis dar sua parte para algumas pessoas da comissão técnica, como roupeiro, massagista... Se o ambiente fosse o que todo mundo diz, não teria uma história como essa.
Por que, então, se o ambiente é bom, surgem tantas histórias?
Ah, isso eu já não sei. Não tenho a ver com isso. Não sou eu que tenho que cuidar disso [olhando para cima]. Minha função é dentro do campo. Não me meto em nada além disso. Eu sou valorizado no futebol por isso. Tenho meu contrato com o Palmeiras até o fim do ano e vou cumprir. Antes de vir pra cá, tive 5 propostas melhores financeiramente e escolhi o Palmeiras. Sabia que tinha estrutura e vim para ser campeão brasileiro de 2009. Não tenho e nunca tive fixação pela seleção. Mas, se tiver a proposta de ir, é o único jeito de eu quebrar o meu contrato com o Palmeiras.
Agora, o Palmeiras começa o ano com um elenco muito parecido com o de 2009. O que tem que ser feito para esquecer as decepções do ano passado?
Ano passado, tínhamos um time titular muito bom e reservas num nível abaixo. Com a ausência de jogadores importantes, o time, obviamente, caiu muito de rendimento. O Palmeiras está com um projeto de ter jogadores próprios, que possam ser vendidos no futuro. E temos a nossa parceira, a Traffic, que também tem uma visão parecida. Então, nas reuniões que fazemos - eu, com o J. Havilla [dono da Traffic], o Toninho e o Cipullo - discutimos nomes que se encaixam nesse perfil para contratarmos. E é isso que estamos fazendo.
Mas o clube sofre com problemas financeiros. Houve uma conversa sobre o que é possível gastar e sobre redução de gastos?
Eu estou no futebol há muito tempo. Não precisa ninguém falar. Já conversamos sobre o que pode ser reduzido. Vamos ter algumas dispensas e vamos contratar na medida do possível para ganharmos títulos esse ano. Eu dou várias opções para contratação. Não sou daqueles treinadores que, se quer um jogador, tem que ser ele. Se não der para contratá-lo, não precisa contratar ninguém. Eu sei da situação da equipe e dou opções de acordo com o que o clube pode fazer. E com o perfil certo. O clube não tem muito dinheiro. Procurando bem, olhando outros mercados e fazendo uma boa pesquisa nós conseguimos achar bons negócios. Não dá pra ficar esperando só jogadores oferecidos por empresários...

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