"Chegou a hora de mudar de ares"
Por Marcelo Neves, da Placar
Passados sete meses, Rafinha conta com exclusividade à Placar quais foram as consequências de seu ato e deixa claro: só tomou tal atitude, pois tinha a palavra do clube alemão de que seria liberado para disputar a Olimpíada.
Há quatro temporadas no Schalke 04, o lateral fala dos seus planos futuros, de seleção brasileira e do sonho de disputar uma Copa do Mundo. Aos clubes interessados em seu futebol, Rafinha manda um recado: “Chegou a hora de mudar de ares”.
Confira a entrevista na íntegra:
Recentemente a imprensa européia reveleu que Bayern Munique e Juventus estariam interessados na sua contratação. Você chegou a receber algum contato desses clubes ou isso tudo não passou de especulação?
Fiquei sabendo do interesse e isso me deixou muito feliz, pois são duas grandes potências do futebol europeu. Eu não tive um contato direto com os clubes, pois tenho pessoas para cuidar desses assuntos. Mas o interesse existe sim. Qualquer jogador fica muito honrado ao saber que está despertando o interesse de equipes desse porte.
Você vê com bons olhos a possibilidade de defender um clube de maior expressão da Europa na próxima temporada?
Acho que chegou o momento de mudar de ares. Estou há quarto anos no Schalke, conquistei muita coisa aqui e fui muito feliz. Mas todo jogador quer evoluir na carreira, e eu não sou diferente. Quero defender um clube de chegada, que esteja sempre brigando na Liga dos Campeões. Seria uma experiência e tanto atuar no futebol italiano, mas o Bayern Munique é uma grande equipe também. Farei aquilo que for melhor para a minha carreira.
Antes do início da Olimpíada você teve um problema com a diretoria do Schalke, que se negou a liberá-lo para se juntar ao grupo da seleção brasileira. Como foi esse espisódio, e como isso se resolveu? Ficou alguma mágoa?
Esse foi um dos momentos mais complicados da minha carreira. A diretoria do Schalke tinha prometido me liberar para disputar a Olimpíada, mas como não terminamos bem a temporada eles mudaram de ideia na véspera de eu me juntar ao grupo. Como já tinham me dado a palavra antes, comprei a briga e fui. Sempre sonhei em disputar uma Olimpíada, queria defender o meu país e essa seria a minha única oportunidade. O retorno ao clube que foi complicado. Todos os dirigentes me olhavam feio e a torcida me vaiava toda a vez que eu pegava na bola. Mas consegui fazer boas partidas e marcar alguns gols logo no início, e isso amenizou o clima ruim. Hoje o assunto está superado, mas existe sim ainda uma pequena mágoa.
No final, você disputou a Olimpíada e foi titular do time do Dunga. Mas novamente a medalha de ouro não veio. O que faltou dessa vez para o Brasil conquistar esse título que ainda falta?
São coisas do futebol. Não tenho como apontar algum tipo de erro. Foi sem dúvida o melhor grupo com o qual já trabalhei em toda a minha carreira. O clima era muito bom e tínhamos grandes jogadores. Foi uma fatalidade. Tínhamos totais condições de conquistar a medalha de Ouro, mas pela frente tinha a Argentina, que vinha mordida pelos recentes fracassos contra a seleção principal. Eles jogaram tudo aquele jogo...
Dunga optou por convocar Maicon e Daniel Alves para os dois jogos da eliminatórias (contra Equador e Perú). Ficou alguma frustração por não fazer parte da lista?
É claro que eu sempre quero fazer parte de todas convocações. Sonho em disputar a Copa de 2010, na África do Sul. Mas ao mesmo tempo eu sei que o Maicon e o Daniel Alves estão em melhor momento e merecem ser os dois laterais-direitos da seleção nesse momento. Eu estou sempre à disposição e o Dunga sabe disso. Já fui convocado em outras ocasiões e cheguei até a ser titular. O Maicon e o Daniel Alves são dois grandes amigos e torço muito por eles. Estou fazendo o meu trabalho da melhor forma possível para o dia que tiver a minha chance correponder da melhor forma.
Você acredita que uma transferência para um clube de maior expressão na próxima temporada poderia deixá-lo mais próximo de disputar a Copa do Mundo?
Com certeza. O Maicon e o Daniel Alves são os grandes exemplos disso. Eles defendem dois dos maiores clubes do mundo (Internazionale e Barcelona, respectivamente) e lideram os campeonatos de seus paises. Mas isso também não tira o mérito dos dois, que estão jogando um futebol de alto nível e merecem integrar o grupo da seleção brasileira. Minha grande meta para 2010 é sem dúvida disputar a Copa do Mundo e farei o que for preciso para realizar esse sonho.
Nos últimos anos, o Schalke esteve sempre na briga pelo título até as últimas rodadas. Nesta temporada, no entanto, a equipe faz uma campanha discreta e ocupa apenas a oitava colocação na tabela. O aconteceu?
Nós tivemos um começo de temporada muito ruim. Perdemos muito jogos em casa e agora estamos tendo que correr atrás. Além disso, muitos jogadores deixaram a equipe, e ficamos com o elenco um pouco enfraquecido. Mas aos poucos o time está se recuperando. É claro que o título fica um pouco distante, já que estamos 12 pontos atrás do líder (Herta Berlim). Temos de nos superar e garantir uma vaga na Liga dos Campeões.
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